quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Patinho bravo




Patinho bravo


É um patinho bravo,
veio ter comigo, está sozinho,
não, não o maltrato...

Não sei como terá vindo o patinho,
vejo-o sozinho, não foge, sim, parece ter medo,
desejo que cresça menino bonzinho...

Livre aqui o patinho
até que um dia, voando, queira seguir
seu próprio caminho...


José Rodrigues Dias, 2017-08-28

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A sonhar




A sonhar


Mar, um calção,
sonhando, folhas em branco,
um livro na mão...

O pensamento

livre, sem tino, livre
como o vento...

Cada onda,

o livro por acabar,
novo verso...

Depois, por regra,
uma onda de outro mar pinta 
as folhas de negro...

Contudo, salva-se
o instante, ainda que efémero,
daquela felicidade...


José Rodrigues Dias, 2017-08-30

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O cuco, a mó e os passarões





O cuco, a mó e os passarões


Escuto..., deixou de cantar o cuco...
De tanto cantar deixei mesmo de o ouvir...
Agora apenas o ouço se fica mudo..

Acontecia ao moleiro
com a mó, moendo, sob a água e o vento,
no seu velho moinho...

Acontece em muito lado
com certos pássaros, melros, passarões,
cantando o seu belo fado...


José Rodrigues Dias, 2017-08-23

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O sonho, o mar e o céu




O sonho, o mar e o céu


Vela içada, indo um barco
desconhecido adentro, água, mar e mar,
uma ilha, indo, um marco...

E indo, indo um barco,
um Porto, Madeira, vamos, vamos lá,
nós, outros e um Zarco...

Motor ligado, homem dentro, o foguetão 
subindo, céu adentro, pelo vazio indo, subindo,
e, ei-la, a Lua, o passo dado, que emoção!...

Esse antigo mar das caravelas
será este céu de tempestades e de sonhos
onde, num futuro, tu navegas?


José Rodrigues Dias, 2017-08-20

domingo, 27 de agosto de 2017

O sagrado no profano




O sagrado no profano


Olha, que Sol quente...
Forasteiro, entra um pouco e senta-te...
O templo está fresco...

Não é hora de um ofício público
mas entra, olha no templo de pedra o teu, o interior,
e faz tu o teu próprio, particular...

Depois, volta,
olha nas ruas o florido, o profano,
volta sempre...


José Rodrigues Dias, 2017-08-05


sábado, 26 de agosto de 2017

O outro lado das coisas




O outro lado das coisas


O dia veio húmido, sombrio...
Pelo bombeiro, pelo rosto cansado, dos fogos triste,
pela terra ressequida, sorrio...

Verdade que a praia se entristeceu,
a língua de areia aumentou, a gente ausentou-se,
mais o mar se espraia e se diz seu...

A eira, o nabal,
o ter e o não ter em lógica conjunção,
tese e antítese...


José Rodrigues Dias, 2017-08-22

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Guardador de rebanhos




Guardador de rebanhos


Enquanto de rebanhos guardador 
espreita o seu gado, ouvindo os grilos, as estrelas,
em pedra dura sentado, sonhador...

Entretanto, e seguindo o tempo,
sobre um fardo de palha, tablet na mão,
segue amigos a todo o momento...

Contínuo o tempo,
mesmo com rupturas, perenemente,
em seu andamento...


José Rodrigues Dias, 2017-08-02

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Alqueva, praia fresca




Alqueva, praia fresca


Água que perdura
em terra que
era toda de secura...

O mar longe
e, contudo, não, não é miragem...,
a praia perto...

Moça, a azinheira
deleita-se, a roupa foi-se perdendo,
os corpos espreita...


José Rodrigues Dias, 2017-08-05

sábado, 12 de agosto de 2017

Rimas de livros




Rimas de livros


Um banco e rimas de livros no largo da igreja,
são estes de pedra, perenes, de mármore;
que a ideia de livros presente ali sempre esteja...


José Rodrigues Dias, 2017-08-12

sábado, 5 de agosto de 2017

Um ramo de vida




Um ramo de vida


Um ramo de vida,
ao alto, vede, em louvor,
a vida agradecida...

Um azul do céu,
a cor do chão nascida na flor,
o amarelo do Sol...

E o nosso pão,
de cada dia, do amor e do suor,
nascido da mão...


José Rodrigues Dias, 2017-08-05

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Harmonia






Harmonia


É apenas, das ruas colhida, uma magia...
Se duvidas, não perguntes, olha apenas.
Renascendo vai-se fazendo a harmonia...


José Rodrigues Dias, 2017-08-02


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Um chão quase mosaico




Um chão quase mosaico


Fiadas de papel entretecido, adornos no céu da rua,
dependuradas, e eis que um chão quase mosaico, dual,
se desenha de sombras, ecos da luz do Sol e da Lua...

Mas o olhar nunca se repete em dualidade,
até a brisa altera os contornos, aguça-os ou amacia-os,
nem a Beleza em sua própria singularidade...

Eis encantamento,
ei-lo, vós todos!, ei-lo!,
a todo o momento...


José Rodrigues Dias, 2017-08-02

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ruas Floridas de Redondo





Ruas Floridas de Redondo


Borbulha da Beleza quanto gomo!
Rebentos frescos de Primavera em papel de seda!
Entre tanto assomo qual escolho?

Ruas Floridas da vila de Redondo,
dia de Verão quente, Alentejo; do que em mim recolho
como escolho seu melhor assomo?

Assomam de mãos sem cara, gomos
como poemas de mil Poetas sem facebook nem nome
em fino papel de seda, como escolho?

Ali bem à beira,
no rio fresco em dádiva que pura corre,
corre que seiva!...


José Rodrigues Dias, 2017-08-02

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Do amor




Do amor


Gosto do amor que nos faz mover,
o sabor entranhado, maturado pelo tempo,
enquanto o andar não se nos tolher...


José Rodrigues Dias, 2017-07-31