domingo, 31 de dezembro de 2017

E o mundo move-se


Votos de um Próspero Ano Novo!


E o mundo move-se


E o mundo move-se,
esta bola rola, desenrola o novelo que enrola,
nasce-se e morre-se...

Um ano morre,
do movimento, da entropia, do tempo,
e um ano nasce...

De suas glórias e misérias,
morto o ano, RIP, que descanse em paz
e o novo que viva próspero...


José Rodrigues Dias, 2017-12-30

sábado, 30 de dezembro de 2017

Rosa de Dezembro



Com votos de um Feliz Ano de 2018!


Rosa de Dezembro


Ah, rosa de Dezembro
trazendo já odores e cores
do Novo Ano em Maio...

Porque sinais, sentidos,
do tempo
sempre nos entrelaçam...


José Rodrigues Dias, 2017-12-30


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

E agora, José?




E agora, José?


Este ano a acabar, e agora, José?
Ano de poemas todos em tercetos, uns mil, mil e tal...
Para o ano que aí vem como é?

Tercetos simétricos,
bem vejo, eixo de simetria o verso segundo,
simetria geométrica...

Ideias, palavras livres e condicionadas,

condicionadas mas livres, livres todas dançando,
linhas de triângulos isósceles traçadas...

Talvez agora um pequeno retiro teu,
um retiro de fim de ano, vai,
questionando tudo quanto aconteceu...

Cada verso irá ser,
depois, em cada poema,
como ele te disser... 


José Rodrigues Dias, 2017-12-29

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A dança e o poema




A dança e o poema


O palco livre,
olho as palavras
e digo: então?

Então olham-se
sem sinal de admiração,
olham-me então...

Lá salta a primeira,
logo depois a segunda,
salta logo a terceira...

E lá dançam,
precisam no palco de outras duas
que chamam...

E a dança 
livre lá vai acontecendo,
e dançam...

E chamam para a dança,
com sinais, sons e luz, quantas irmãs
precisam naquela dança...

E é assim
que cada poema da dança do dia
acontece...


José Rodrigues Dias, 2017-12-28

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Nem chuva nem Sol nem palavra nem poema, moinha




Nem chuva nem Sol nem palavra nem poema, moinha


Tarde de nem chuva nem Sol:
da chuva uma moinha miudinha
e assomos escondidos do Sol...

Concreta de lá não vem
a palavra e o poema
por ser difuso não se vai...

O ser que não anda
por ser moinha
nem deixa de andar...


José Rodrigues Dias, 2017-12-27

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Da palavra o poema




Da palavra o poema


Do impulso a palavra
rebenta incontida
de cada onda mareada...

Nada e ninguém
a contém
no ser indomada...

Onda a onda o mar 
em movimento, em movimento
da palavra o poema...


José Rodrigues Dias, 2017-12-26
 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O Menino




O Menino


Sua cabeça partida,
o Menino 
no leito torcido jazia...

Maria e José o olhavam,
eu o olhava, a sua cabeça partida,
ele pequenino me olhava...

Um imprevisto,
uma queda inesperada,
cabeça partida...

Segurei-a com cuidado e ternura
e ao corpo com muito jeito e doçura a liguei
sentindo que o Espírito respirava...

Era o Espírito de Natal
que ali se sentia
que do Menino emanava...


José Rodrigues Dias, 2017-12-25

domingo, 24 de dezembro de 2017

Um Natal com Saúde, Paz e Pão




Um Natal com Saúde, Paz e Pão


Sem outras palavras, supérfluas,
a macular o tempo:
Um Natal com Saúde, Paz e Pão.



José Rodrigues Dias, 2017-12-23


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Da beleza e do número phi




Da beleza e do número phi


Volto à ideia de belo
através do número phi, phi de Phidias...
De muito lado o olho... 

No triângulo, no pentagrama, por todo o lado,
no sagrado, no profano, na proporção áurea, divina,
e cada vez em sua harmonia o sinto mais belo...

Poema, número phi,
a beleza em enigma de Mona Lisa,
segredo dentro de si... 


José Rodrigues Dias, 2017-12-21

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O Solstício, o Menino e o Rio





O Solstício, o Menino e o Rio

 
Lá vai o nosso Rio
ora apressado ora lento,
é tempo de Sol frio...

Não sei para onde ele corre,
corre decerto para um fim,
no fim um rio em mar morre...

Então, de uma nascente o novo Rio
como o Menino de Mãe, o Homem renasce,
é num tempo de um outro Solstício...

Um ser morre,
de dentro
do Ser renasce...


José Rodrigues Dias, 2017-12-16

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A luz e a entrada do templo



A luz e a entrada do templo


Neste entardecer
só a luz tem as palavras
para o descrever...


José Rodrigues Dias, 2017-12-20


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Janelas de pedra




Janelas de pedra


Lado a lado,
janelas do tempo em pedra,
guerra e paz...

Rija de guerra
a pedra em vigia, em arco
dúctil a de paz...


José Rodrigues Dias, 2017-12-19

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

domingo, 17 de dezembro de 2017

O Templo e a Luz




O Templo e a Luz


Imponente
cada coluna à entrada
do Templo...

Do silêncio da noite 
a Luz revela-se dentro
ainda mais intimista...

E o olhar 
desperta no verbo
nova Luz...

E a Luz amplia
no fluir da interioridade
outros sentidos...

De outros sentidos
e da Luz
novos sentimentos...


José Rodrigues Dias, 2017-12-17

sábado, 16 de dezembro de 2017

Renascimento




Renascimento


Despe-se a árvore 
da roupa velha, 
as folhas amarelas...

Sim, o homem
também se despe de um tempo
que já passou...

Porque é tempo
de um novo tempo, de interioridade,
de renascimento...


José Rodrigues Dias, 2017-12-16

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Espírito de Natal




Espírito de Natal


Erguem-se alegrias
como luz
de tristezas de dias...

De outono os dias,
folhas
caindo de letargias...

Os braços abraçados,
a luz na mesa acesa,
uns poemas cantados...

Outonos e invernos em espírito de Natal
com menos cabeça caída, menos morte, mais vida,
ainda que pecando com alguns doces e sal...

Liberta a alegria
como luz 
que ilumina o dia... 


José Rodrigues Dias, 2017-12-15

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

E, correndo, o cão lá foi




E, correndo, o cão lá foi


À beira-mar passeando, lado a lado, diz-lhe o cão:
vai tu indo, vou dar um mergulho, fazer com ele uma selfie,
só um instante breve, vai tu indo que já te apanho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-14
 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O altar e a luz




O altar e a luz


Adornado,
no altar a chama
de uma luz...


José Rodrigues Dias, 2017-12-13
 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O palácio e o vaso de sardinheiras




O palácio e o vaso de sardinheiras


Sardinheiras
dão brilho
a um palácio...

Um palácio com traços de história
ilumina
um vaso de sardinheiras vermelhas...

O todo
é feito na harmonia
de tudo...


José Rodrigues Dias, 2017-12-12

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Das gotas




Das gotas


Cheias
caem gotas
gordas...

Pressentindo, abre-se o chão
de sedentas as raízes e as sementes
ficando logo a levedar o pão...

Depois, e gota a gota,
de todas as gotas em excesso 
encher-se-á a charca...

Sim, que até as andorinhas
logo pela Primavera em voos rasantes 
gostam de lá molhar o bico...


José Rodrigues Dias, 2017-12-11

domingo, 10 de dezembro de 2017

Espera sentado o pescador



 
Espera sentado o pescador
 
 
Velho mas ainda sonhador,
de cana no ar, na rocha o peixe do mar
espera sentado o pescador...


José Rodrigues Dias, 2017-12-10

Mar em acalmia




Mar em acalmia


Eu nesta acalmia, nesta mansidão,
e tu com todo esse medo de mim
com pedras à porta em prevenção...



José Rodrigues Dias, 2017-12-09

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Mãe, da raiz o rebento




Mãe, da raiz o rebento


Da raiz o rebento no aconchego do coração...
Nem frio nem fome, sem dores, na palma da mão...
Do início da concepção ao voo da libertação...                     


José Rodrigues Dias, 2017-12-08

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Como gotas em taças de vinho




Como gotas em taças de vinho


Tão unidas como gotas
em taças de vinho se abrindo,
pétalas de flores roxas...


José Rodrigues Dias, 2017-12-07

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Madiba




Lembrando Nelson Mandela, 

poema de 2013, aquando da sua morte, incluído neste livro de 2016.

* * *  


 Madiba


Hoje, no terreiro grande,
nesse misto de comoção e festa,
homens de olhares coloridos
te sentem e cantam
livre sem cor
com sorrisos
sem dor
de ti preso nascidos,

é o nosso canto
de encanto
libertando amor
durante a tua sesta,

é comoção
feita quase festa
de humana libertação…

2013-12-06

José Rodrigues Dias, Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, p. 152, 2016

* * *  

José Rodrigues Dias, 2017-12-06

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

As flores e a caverna de Platão




As flores e a caverna de Platão


Bailam sombras na parede
ao sabor da aragem 
brincando com lindas flores...

Ah, estivesse eu preso,
ignorante em caverna de Platão,
como perderia as flores...

Os tons da vida, as cores,
sem nada saber de não ver, apenas sombras,
desterrado, preso em rede...
 

José Rodrigues Dias, 2017-12-05

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Da luz de cada esquina um sonho





Da luz de cada esquina um sonho


Da luz de cada esquina um sonho,
de cada sonho um voo, alto, longe, à luz do tempo,
o sorriso na força que nele ponho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-04

domingo, 3 de dezembro de 2017

A Lua, o Sol, tu e a chuva




A Lua, o Sol, tu e a chuva


Deita-se o Sol
a poente, a nascente 
ergue-se a Lua...

Lua de ventre tão cheio
que de enigmas se foi enchendo,
de mistério agora cheio...

De um ramo de uma antiga oliveira
onde com o tempo devagar vou subindo
pergunto-lhe quando traz ela chuva...

De encolher seus ombros,
dos mistérios o seu gesto imperceptível,
senti que nem ela sabia...

E, então, ela naquele enigma doce ali tão perto,
pergunto-lhe se o Sol, seu dual companheiro, saberia.
Diz-me, olhando, que já nem ele sabia ao certo...

Olhos nos olhos: Então, Lua!...
Responde ao meu rosto com o seu:
Olha-te, talvez seja culpa tua...


José Rodrigues Dias, 2017-12-03

sábado, 2 de dezembro de 2017

Árvore da sabedoria




Árvore da sabedoria
 

Lenta aumenta, crescendo, a árvore da sabedoria,
talvez uma antiga oliveira já bem anciã dos princípios do tempo,
tronco rugoso, a pele gretada da vida de cada dia...

Ei-la sempre aqui junto de nós,
tranquila, sábia decerto, sábia tanto que nem sabemos,
mas tão sóbria aquela sua voz...

Tocá-la e subir pelo seu tronco em liberdade,
devagar, conversando com ela, mesmo com palavras,
mas sem egoísmo nem pressa nem ansiedade...

Pelos seus ramos divagando
cada ramo se vai mostrando aos iniciados
e na luz sorrindo vai falando...

Uns bagos de azeitona
no ramo certo maturados para um fio de ouro
lá vão surgindo à tona...

E se, por acaso, escondido encontrares um ninho
lá entre os seus ramos altos, em plumas envolto,
deixa-o, discreto, é o lugar sagrado do passarinho...


José Rodrigues Dias, 2017-12-02


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Profano e sagrado




Profano e sagrado


Fundo, azul o céu
do Sol
sem nenhum véu...

Dia feriado profano...
Um sino ecoa no branco do campanário, branco,
a lembrar o sagrado...


José Rodrigues Dias, 2017-12-01

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Critica


 
(A propósito do Dia Mundial do Professor)


Critica


Não, não escrevi no título “Crítica”, o que sempre gosto de fazer, olhos nos olhos, letras certas no sujeito, que assim mo ensinou o Mestre que mais recordo e mais a vida me marcou: o de Filosofia. Ele formava, ensinando a perguntar sempre. Por quê? Ou porquê? Sempre perguntando! Era um Mestre. Então adolescente, nunca lhe disse isto. Seria um atrevimento para um aprendiz. Hoje, já ontem, gostaria muito que isto ele soubesse, onde quer que esteja, talvez recreando-se depois do trabalho justo e perfeito.

Assim esse Mestre me formou e assim me formei. Talvez por isso, curiosamente, optei pela objectividade dos circuitos e dos números. Ou melhor, pela crítica da objectividade do quantitativo. Aí, apareceu o talvez, em mistura do indefinível e do subjectivo! O provável! Aqui, a relatividade das palavras e da sua posição, da sua paragem e da sua continuação. Ontem, a explosão feita da incerteza da posição! Einstein, 1905. Hoje, a inclusão e a exclusão. O preto e o branco. A síntese. Aqui, agora, as leis que temos. Em todo o lado, e já ontem, as leis como as temos. As leis que, aqui incertas, não legislam certo.

Quando, pela primeira vez, olho um aprendiz, aprendiz como eu, que nem sempre há muitos, que quase todos somos logo mestres, digo-lhe: critica! Quando penso que seja a última vez, repito-lhe: critica!

A crítica séria não é pão hoje. Mas amanhã só haverá pão se hoje houver crítica. Sério, critica, então. Teremos amanhã pão!

Sabes, o rei vai nu! Mesmo nu, não te parece?


José Rodrigues Dias, Traçados Sobre Nós, Chiado Editora, 2011.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Bosão de Higgs, a partícula de deus e do diabo



(A propósito de outro Prémio Nobel de Física, 2013)


Bosão de Higgs, a partícula de deus e do diabo



Tu, que és muito feminina,
quase mulher,
bela, altiva, fugidia,
o homem esbaforido atrás de ti
pelas montanhas alpinas escondida
em jogo de gato e rato
de enamorados,
enguia,

tu, assim muito feminina,
capa de revista,
a senhora do ano…,
partícula de deus
costela
feiticeira do homem,

buraco grande negro enorme
e aquele vácuo,
um vácuo em catástrofe 
do diabo,

um nada muito feminino
escondido
conferindo massa e volume e contornos
e talvez uma certa harmonia
ao coração e a tudo,
fugindo,

mas num dia de stress muito alto
talvez a instabilidade
e o colapso
no tempo e no espaço
do homem inteiro
perseguindo em todos os infinitos
o além,

como louco, loucamente,

por subtis veredas
de luz
e sombras

que ora são de salvação efémera
em noite de exaltação de mestre
ora de total destruição, perpétua,

de deus…,
oh partícula
do diabo!,

paixão do homem, 
maçã de Adão…

2014-09-10

José Rodrigues Dias,  Poemas daquém e dalém-mar, Ed. Forinfor, 2016.