segunda-feira, 29 de maio de 2017

É do silêncio...





É do silêncio...


Mais em mim me vou recolhendo...
Não é medo de pingos de chuva, gosto da chuva...
É do silêncio que vou aprendendo...


José Rodrigues Dias, 2017-05-29

domingo, 28 de maio de 2017

Acariciando palavras...




Acariciando palavras...


Dou comigo acariciando palavras, 
como às flores, no cultivo e rega, nos cuidados,
podando cada seco e avivando-as...

Dou comigo acariciando palavras, 
como fora com aquelas fórmulas além deixadas,
tirando-lhe excessos, avivando-as...

Acariciando palavras,
mil os cuidados, este o tempo
de inesperadas lavras...


José Rodrigues Dias, 2017-05-24

sábado, 27 de maio de 2017

Cacho de flores




Cacho de flores


Do meio do mato

emergindo de um seco de palha
flores num cacho...

Do meio da multidão
uma voz
erguendo-se do chão...

Terra longe sem letras,
uma candeia
iluminando as palavras...


José Rodrigues Dias, 2017-05-27

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Talvez chão de alfa, de ómega...




Talvez chão de alfa, de ómega...


Na esquina de um relvado
descubro um minúsculo mundo,
ia devagar, não apressado...

(Sabes, indo devagar, devagar e olhando, 
os minúsculos pormenores da vida, do ser, da verdade,
de que se faz o mundo vão-se revelando...).

Nesse mundo ali descoberto há um centro,
talvez o núcleo de uma flor desabrochada, isso não sei,
e, à volta, uma rede de nós, de pé e ordem...

Esse mundo parece-me entretecido de fios,
de algodão, esbranquiçados, sim, brancos, puros,
e com seiva límpida correndo como em rios...

Centro
do mundo, sóis e luas
dentro...

Centro,
teias, redes e nós
dentro...

À volta, o tempo fervilhando, 
um mar verde ao vento, talvez seja azul, azul,
talvez chão de alfa, de ómega...


José Rodrigues Dias, 2017-05-26

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Enxada, pena e canto...




Enxada, pena e canto...


Agora que a enxada se te deitou,
se te deitou de teus braços mui cansada,
descansa um minuto tu também...

Da enxada melados
os seus bicos, os teus dedos
e as mãos calejados...

Sabes, amanhã é um novo dia
e se hoje um minutinho não sossegares,
verás, será ela que te cansará...

Senta-te aqui neste banco, senta-te a olhar,
descansa do tempo teu olhar, do espaço, dos braços, 
e olhando tu a cidade põe-te todo a meditar...

Da vida o canto,
o campo
cheio de encanto...


Post scriptum:

Corre-se,
arena de cidade, uma bomba,
morre-se...


José Rodrigues Dias, 2017-05-23

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Palavras tenras em botão...




Palavras tenras em botão...


Fresquinhos, logo pela manhã, de uma flor,
beijos puros orvalhados, palavras tenras em botão,
sim, são dádivas na mão, partilhas de amor...


José Rodrigues Dias, 2017-05-24

terça-feira, 23 de maio de 2017

Crianças, irmãs...





Crianças, irmãs...


Crianças, irmãs,
em que mundo e quando
flores de romãs?...


José Rodrigues Dias, 2017-05-23

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Mãos abraçadas à enxada...




Mãos abraçadas à enxada...


Mãos abraçadas à enxada
e dos abraços bem apertados, arrochados,
no chão a enxada cansada...


José Rodrigues Dias, 2017-05-22

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Tercetos




Tercetos


Em três versos tudo dito,
névoas ou não, como em três colunas
Templo de Diana escrito...


José Rodrigues Dias, 2017-05-18

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sentindo o afecto da terra...




Sentindo o afecto da terra...


Sentindo o afecto da terra,
olhando azuis, verdes, água fresca,
cada fruto que dela medra...

Fruto maduro...
Sabor, apesar das ervas,
fresco e puro...

Um voltar às origens,
à terra vivendo lá quase só,
mas outras as aragens...

Ritmado, o passo ponderado em cima de tractor
olhando entre oliveiras e pássaros, e um coelho,
o tempo que de lá vem e para lá já vai, sonhador...


José Rodrigues Dias, 2017-05-18