terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Além das nuvens




Além das nuvens


Além das nuvens
há o azul
escondido no céu...

Sob a aparência
há o ser
dentro do corpo...


José Rodrigues Dias, 2018-01-16

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Luís, Beato Salu, e o dever cumprido.





Luís, Beato Salu, e o dever cumprido.


Estremecera a terra, para a rua a gente saíra, tremera...
O banco do Luís na Acrópole saltara, ele mo disse, saltara...
E Beato Salu, o Luís, as paredes da cidade ali segurara...

Missão sua há muito que era,
o amigo Luís há muito mo dissera,
assim Beato Salu ali cumprira...

Ao Sol o Luís sentado,
seu dever cumprido, protegida a cidade,
seus pertences ao lado...

Cada casa segura,
Luís
sem nenhuma sua...


José Rodrigues Dias, 2018-01-15

domingo, 14 de janeiro de 2018

De silêncio as palavras




De silêncio as palavras


Mãos na massa,
de claro o dia o cimento feito,
começa a chuva...

Faço enquanto posso,
lavo e guardo os materiais,
sob a telha me guardo...

Não é de exteriores,
o tempo é de interioridade,
recolho-me em mim...

De silêncio
feitas
as palavras...


José Rodrigues Dias, 2018-01-14

sábado, 13 de janeiro de 2018

Nuvens dos caminhos





Nuvens dos caminhos


As nuvens que no céu a luz enegrecem
daqui as olho; porém, olhando o mundo, vejo
as nuvens que os caminhos entristecem...

Mas eis que de um arco-íris
brota um colorido amenizando a escuridão
com uns raios de esperança...


José Rodrigues Dias, 2018-01-13

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pedra do caminho




Pedra do caminho


Oh pedra do caminho, que farei contigo?
Faz-me, faz-te, diz ela, talvez por uma aresta, começa... 
Do início, tu e eu, logo veremos o destino...


José Rodrigues Dias, 2018-01-11

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Pedras, brutas de desafio, polidas do trabalho




Pedras, brutas de desafio, polidas do trabalho 


Olhando,
sentado, sentindo,
o tempo...

O tempo no caminho
que no olhar aberto, atento,
se desenrola em vida...

Caminho de pedras,
brutas de desafio, polidas do trabalho,
o burilado das mãos...

As mãos, cada mão,
de pequenas feitas grandes,
semente grão a grão...

Observo o movimento,
o movimento contínuo no tempo, do tempo,
ora acelerado ora lento...

No jardim,
ali, quase aqui, um homem trata
das flores...

Parando o tempo,
as flores de pé viçosas das mãos
morreriam secas?...


José Rodrigues Dias, 2018-01-11

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Eu e o poema




Eu e o poema


Cedo na manhã o cinzento,
a chuva então caída logo levou
de ontem o fresco cimento...

Digo-te: precisas de deixar 
o vinho novo
um certo tempo a encorpar...

E a ti, poema escrito,
ainda fumegando, barbas por limpar,
logo te ponho a andar... 

Que coisa estranha 
essa de um espeto de pau
em casa de ferreiro... 


José Rodrigues Dias, 2018-01-09

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Caem azeitonas, palavras




Caem azeitonas, palavras


Com a chuva, maduras,
caem azeitonas, palavras,
enchendo-se novos sacos...

Tractor cheio de poemas,
o sonho na esperança
de virem a ser azeite, luz...

Luz que se reflicta
em livro novo prensado, aberto,
e que se transmita...


José Rodrigues Dias, 2018-01-09

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Falo de pedra penetrando a terra, quem sabe...




Falo de pedra penetrando a terra, quem sabe...


Penetrando a terra o falo,
que lá bem do seu âmago, do seu ventre,
haveria de nascer o fruto...

Se com homens e mulheres assim era
e o mesmo era com outros seres,
como não o seria com o granito e terra?

A esta distância alongada no tempo,
penso agora, a terra-mãe já tão gasta do homem,
como saber hoje desse pensamento?...


José Rodrigues Dias, 2018-01-08

domingo, 7 de janeiro de 2018

Cromeleque dos Almendres




Cromeleque dos Almendres


Misterioso o rasto, olhar para trás voltado,
vai-se despedindo o Sol do Cromeleque dos Almendres,
o chão em amálgama de profano e sagrado...

O tempo
já esquecido, de ser já velho,
do início...


José Rodrigues Dias, 2018-01-07